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01 março 2017

(Resenha) A Promessa da Rosa e A Sombra da Rosa - Babi A. Sette


Resenha: Já fazem uns quatro anos que eu li esse livro, na época nem pensava em ter um blog, mas quando terminei fiz umas anotações sobre o livro, agora com o lançamento do Spin-off A Sombra da Rosa, resolvi pegar as anotações e fazer uma resenha para os dois livros.

A Promessa da Rosa


Uma história de época cheia de mal entendidos, Kathe é uma mulher forte corajosa que enfrentou tudo o que passou com a cabeça erguida, deu a volta por cima várias vezes. A vida lhe deu várias rasteiras, o seu pai, seu primo Rafael e seu grande amor Arthur foram seus algozes, mas ela sobreviveu...

Para mim Kathe é uma personagem inesquecível... Esse livro vai ficar marcado como um momento maravilhoso....Recomendo pela história, pela caracterização, pelos personagens bem desenvolvidos, todos eles inclusive os secundários, pela escrita da autora que prende e conquista, te enche de emoções, você chora, ri, se emociona, vive os altos e baixos dos personagens, entra verdadeiramente na história.


Eu pensei que não poderia odiar um protagonista, as vezes a gente não gosta deles por uma ou outra coisa mas o Arthur, ele foi muito mesquinho e orgulhoso, não confiou na Kathe, preferiu acreditar em fofocas e a humilhou com uma proposta indecente...Quando terminei o livro fiquei me perguntando como a Kathe iria perdoa-lo? Como ele pode amar tanto e faze-la tão infeliz? Você passa o livro todo com o coração na mão, pensando isso não pode acabar bem...Isso não vai dá certo...

Esse livro terminou com um sorriso, apenas um sorriso, eu pensei, mas isso não pode ser assim tão simples, eu queria mais, estava faltando algo, então quatro anos depois a Babi nos deu um presente, um Spin-off...

A Sombra da Rosa

Em um momento mágico Babi nos conta o que aconteceu entre o Fim e o Felizes para Sempre. Simplesmente encantada com a delicadeza e sensualidade deste conto...

A Babi A. Sette é uma feiticeira, sim isso mesmo, faz magia com as palavras, já enfeitiçou muitos leitores e a cada história conquista mais ainda. Esse conto traz , com um gostinho de saudades, Arthur e Kath de volta, se inicia logo após o final de A Promessa da Rosa, onde Arthur terá que reconquistar sua Rosa e provar para ela que ela será a única mulher que terá seu coração, seu corpo e sua alma. Com esse conto, Arthur me conquistou, foi lindo ver o seu amor por sua Rosa, ele assumir seu amor publicamente e mostrar para toda sociedade aristocrática de Londres que ela poderia ser a melhor Duquesa que eles poderiam ter.

Trechos do Conto:

"Todos os pedaços quebrados dela, tudo o que havia sido dor na história deles, era reconstruído e curado com aqueles beijos."

"— Senhorita — disse ele —, a sua luz transforma todas as pessoas e coisas em sombras.
Vocês mesmos podem ver. Percebem? — Arthur perguntou ao olhar para os convidados, que abriram uma roda onde eles estavam. — Ela é a única rosa aqui presente. O resto? É somente a sombra que sua luz projeta... É somente a sombra da rosa."

"— Kathelyn Stanwell, se você for capaz de perdoar os meus erros e aceitar ser a minha
duquesa, eu sei que você será a mais bela, bondosa, honesta e corajosa duquesa já vista nessa Terra. Se você me der a honra de dividir a sua vida comigo e me levar assim, de volta para a luz, eu juro, diante de todas essas pessoas, que devotarei a minha vida para lhe fazer a mulher mais feliz do mundo. — Ele a olhou com mais intensidade antes de concluir: — E uma coisa eu posso lhe prometer, minha rosa, você será a duquesa mais amada de todo o reino... E ninguém, nem mesmo um duque — sorriu ao dizer — tem o poder de quebrar a Promessa feita a uma Rosa."

Série Flores da Temporada.


A Promessa da Rosa

Sinopse: Século XIX: Status, vestidos pomposos, carruagens, bailes… Kathelyn Stanwell, a irresistível filha de um conde, seria a debutante perfeita, exceto pelo fato de que ela detesta a nobreza; é corajosa, idealista e geniosa. Nutre o sonho de ser livre para escolher o próprio destino, dentre eles inclui o de não casar-se cedo. No entanto, em um baile de máscaras, um homem intrigante entra em cena… Arthur Harold é bonito, rico e obstinado.

Supondo, por sua aparência, que ele não pertence ao seu mundo, à impulsiva Kathelyn o convida a entrar no jardim – passeio proibido para jovens damas. Nunca mais se veriam, ela estava segura disso. Entretanto, ele é: o nono duque de Belmont, alguém bem diferente do homem que idealizava, só que, de um instante a outro, o que parecia a aventura de uma noite, se transforma em uma paixão sem limites.

Porém, a traição causada pela inveja e uma sucessão de mal-entendidos dão origem ao ciúme e muitas reviravoltas. Kathelyn será desafiada, não mais pelas regras sociais ou pelo direito de trilhar o próprio caminho, e sim, pela a única coisa capaz de vencer até mesmo a sua força de vontade e enorme teimosia: o seu coração.


A Sombra da Rosa: Spin-off de A Promessa da Rosa - (Conto)

Sinopse: 
Após dois anos de procura, Arthur, o nono duque de Belmont, finalmente reencontra a sua amada Kathelyn. Ele estava preparado para tudo, exceto para a possibilidade dela não aceitá-lo de volta.

Kathelyn não estava preparada para reencontrar o único amor de sua vida, quem dirá perdoá-lo por todos os erros cometidos no passado.

Nesse spin-off, Babi A. Sette presenteia os leitores com cenas cheias de emoção, romance e doces surpresas, onde o leitor conhecerá como esse casal apaixonado e teimoso alcançará o seu merecido final feliz.


Despertar do Lírio

Sinopse:
Lilian Radcliffe é uma jovem viúva e está feliz com sua vida isenta de emoções. Culpa do luto que não larga? Lilian jurou fidelidade ao marido no leito de sua morte. 
Paralelo a isso, conhecemos Simon Thorn, homem frio e libertino, dono da maior casa de jogos de Londres. Ele está a um passo de realizar seu plano de vingança contra o culpado pelo título de assassino que recebera anos atrás. O problema é que o canalha está morto e ele terá de usar a sua viúva recatada a fim de atingir seus objetivos.
De um lado, ela precisa manter sua honra intacta; de outro, ele quer seduzi-la e desmoralizá-la. No entanto, Lilian nunca se sentiu tão vulnerável e atraída por um homem. E Simon, por sua vez, demonstra reações ao lado dela das quais nunca imaginara ter. A vingança e a honra se abalam quando nasce entre ambos uma paixão incontrolável. Mas, para ficarem juntos, terão de enfrentar segredos e mágoas profundas, um castelo trancado há seis anos, palco de uma morte misteriosa e, sobretudo, encarar os fantasmas do passado que assombram suas consciências.


21 novembro 2016

Resenha: Nildrien, o Pergaminho - Manoel Batista


O que mais me assustou neste livro foi o tamanho, são 588 páginas, eu não sou de ler livros assim, ainda não li  As Crônicas de Gelo e Fogo, justamente pelo tamanho, então eu pensei, onde eu me meti? Mas para minha surpresa, li ele sem problema nenhum. 
No inicio o autor nos apresenta os personagens, um a um, ele vai contado como cada um chegou a Nalim e como foram parar  no exército na parte de expedições.
Uma coisa interessante neste livro é que ele se passa em um mundo de fantasia medieval, mas o autor optou pelo linguajar bem moderno de alguns personagens, principalmente os mais jovens,  o que ao meu ver tornou o livro bem mais leve e divertido. Então sempre encontramos diálogos como esse:

"- Olha, desse jeito não vai dar certo! Não é a primeira vez que você faz isso, apesar de ser meu melhor homem...- Dygon fez uma pausa e com a voz grave decretou: - Vou te transferir para outra seção do exército!
- Tá bom, dane-se! - Respondeu o guerreiro do gelo, com um ar de desdem.
O líder da guarda não acreditava no que acabara de ouvir. Irrompendo em uma terrível crise de fúria, gritou aos quatro ventos, enquanto apontava o dedo na cara do meio-demônio: 
- Seu moleque! Quem você pensa que é?..."

Os personagens são muitos, mas como no inicio o autor nos conta separadamente a história de cada um e como cada um chegou a expedição, vamos nos familiarizando com eles, ficando fácil distinguir cada um.

Vamos conhecer cada um deles? 
- Reks: Meio Dragão discípulo de Haoru, o maior mestre de Nildriem. Vai para Nalim levar uma correspondência do seu mestre para a Rainha.
- Histran: Jovem que sai de sua terra e vai para Nalim em busca de aventura e se alistar no exército para participar das expedições.
- Karson: Jovem que ficou preso por 4 anos "injustamente".
- Hanns: Meio-demônio de pavio curto, foi transferido para expedições por seu mau comportamento no exército.
- Kyler (paladino), Ylis (clérica da Paz) e Verônica( clérica da Luz). Elas se alistam no exercito e ele por ser o protetor delas, vai também a contragosto.
- Damian (meio- elfo feiticeiro), líder da Força Especial de magos do reino e líder da expedição e sua irmã Marlin (maga).
- Mike (lutador de rua) 
- Loris (princesa da Luz), Karedrine (clérica do Amor) e Myat (maga da Luz) do reino de Skyllus.
- Mistia (guerreira)
- Hant (paladino)

Esse é o grupo (bem peculiar diga-se de passagem) que o reino de Nalim envia para a Caverna Antiga em busca do Pergaminho do maior mago da história de Nildriem, Arkross Shawron, um artefato que continha grandes magias e conhecimentos e que de maneira nenhuma poderia cair em mãos erradas, uma missão muito arriscada, pois a caverna é habitada por monstros terríveis, e a maioria dos participantes não sabem o real motivo da expedição, o que acontecerá quando eles descobrirem? Mas esse não será o único risco, também estão atras do Pergaminho Nyhan (um mercenário) e Raven (um nobre inescrupuloso) que partiram juntos para a Caverna Antiga e a família real de Asenhar, o reino das trevas, que também fará tudo para por as mãos neste pergaminho.

Então eu pergunto o que temos aqui? Ingredientes perfeitos para uma fantástica aventura conduzida pelo "mestre" Manoel Batista, com suas lutas de tirar o fôlego, momentos divertidos que nos tiram gargalhadas, personagens super bem construídos, que nos fazem amar alguns e odiar outros. Uns nos fazem rir com seu jeito moleque, outros querer dar um murro, mas todos nos conquistam.

Gosto muito quando leio livros, principalmente os de fantasia, o autor se dispõe a narrar detalhadamente cada cena pois fica fácil de imaginar a cena, nas cenas de luta eu visualizava em minha mente cada golpe como se um filme estivesse passando, acho isso incrível pois conseguimos quase que participar da história. Não sei se para  vocês é assim, mas para esse tipo de leitura tem que me absorver, como o Nildrien fez, senão não funciona.

A história do livro é incrível, mas a história por trás dele também é, a grande influencia que um jogo teve no processo de criação, e até em tornar o Manoel Batista um escritor, veremos no texto a seguir escrito pelo próprio autor:
"É praticamente impossível falar sobre Nildrien e logo não associá-la a um RPG. Isto se deve principalmente por Nildrien ter realmente nascido como um e o dito jogo ter tido um efeito enorme sobre a história, e porque não, para que eu viesse a me tornar um escritor.
Comecei a jogar minhas primeiras sessões, convidados por amigos de uma mesa no início dos anos 2000 e logo me impressionei com as possibilidades, quase infinitas, de narrativa e criação de personagens que o RPG oferece, independente do sistema. Você pode criar qualquer história ou personagem, que poderão ser adaptados para o jogo, ou seja, você pode ser tudo! O primeiro RPG que joguei foi Vampiro: A Máscara e lembro de ter saído tão empolgado da primeira sessão que no dia seguinte fui comprar o livro de regras, vendido na época em uma banca comum de minha cidade. Pouco tempo depois, já tinha devorado o livro e encantado com a possibilidade de criar histórias (em minha cabeça já naquela época, livros ou filmes desenrolados em tempo real), comecei a mestrar minhas primeiras histórias apenas um mês após ter entrado para o grupo de jogo.
Meus amigos e eu nos divertimos muito naqueles tempos, mas foi quando de fato conheci a “fantasia medieval” que tudo começou realmente a mudar de vez. No caso era um sistema próprio da mesa, adaptado do famosíssimo D&D e logo passei a me aventurar e depois criar e mestrar histórias com essa temática. Foi então que após um período de histórias bem sucedidas entre os jogadores, senti que poderia ir além e criar algo de diferente, algo que ainda fosse um jogo, uma brincadeira, mas que pudesse emocionar e entreter de uma forma maior. E foi ai que nasceu Nildrien, como uma simples história de RPG em janeiro de 2005.
Foram anos de trabalho e diversão, até que com meus amigos que jogavam a história nós sempre comentávamos que a trama tinha ficado muito boa e deveria ganhar um livro, alguma adaptação para que mais e mais pessoas pudessem conhecer, o que nos fazia vibrar e passar madrugadas a dentro nos finais de semana. Foi então que me arrisquei a começar a escrever um livro sobre a história, já tinha feito textos ao longo dos anos, mas nunca nada tão sério e me vi surpreendido mais uma vez, pois finalmente encontrei aquilo que realmente amo fazer nesta vida e que ainda não tinha percebido com tamanha convicção: contar e escrever histórias e o resto, bem, o resto é literalmente história. Ou seja, através do RPG pude encontrar o meu caminho na vida e por isso serei eternamente grato a este jogo, sempre tendo o maior respeito e carinho para com ele."


Adorei conhecer Nildriem e seus personagens, quero mais, não vejo a hora de ser lançado o próximo livro e ver o que vem por aí.


Sinopse:


Em um mundo de fantasia medieval, o despertar de uma poderosa energia em uma caverna milenar e remota faz com que os mais poderosos reinos de Nildrien se mobilizem para conseguir o artefato portador do poder: um antigo pergaminho criado pelo maior de todos os magos, contendo feitiços capazes de afetar o equilíbrio mundial. Sem poder enviar seus mais experientes e poderosos membros, resta às forças de reinos aliados formarem um grupo de jovens aventureiros para enviá-los ao maior desafio de suas vidas: uma aventura entre guerreiros, magos e monstros que dividem um cenário onde o fantástico e a magia se mostram mais presentes do que nunca. Uma jornada que mudará para sempre a vida desses jovens, repleta de drama, ação e humor.

Onde encontrar:  Amazon


23 setembro 2016

Os Escritores, os livros e o RPG, o principio das histórias.



Oi gente, eu fiz alguns parceiros no mundo dos livros e vi que alguns tinham em comum o RPG, comecei a me interessar e resolvi dar uma pesquisada no assunto, então surgiu a idéia de fazer esse post, para que vocês conheçam esse jogo, que eu adorei, e que tem tudo a ver com a criação de histórias fantásticas, como as dos meus parceiros.
Pedi a cada um deles que nos contasse como foi o inicio da criação de seus respectivos livros e vou colocar o link com as resenhas e as sinopses também para vocês sentirem o gostinho de cada um dos livros. Mas primeiramente vamos saber direitinho o que é o RPG.


O que é?

RPG é uma sigla em inglês que pode ser traduzida como “Jogo de Interpretação de Papéis” ou “Jogo de Interpretação de Personagens”. Nele um grupo de amigos se reúne para construir uma história, como se fosse um teatro de improviso. Existe um diretor, chamado de “narrador” ou “mestre”, que vai explicando o desenrolar da trama; e existem os jogadores, que modificam a história à medida que interpretam seus personagens.

Durante o jogo os personagens vivem aventuras que lembram os grandes épicos de nossa literatura e cinema: enfrentam monstros, salvam princesas, desafiam impérios galácticos... Ou não, pois também é possível interpretar vilões e anti-heróis. Existem RPGs de todos os tipos: de fantasia medieval ao terror, de viagens espaciais a cenários históricos. E isso sem precisar desgrudar da cadeira e largar o refrigerante, pois tudo se passa na imaginação.

Existem formas diferentes de jogar RPG e também outros jogos que derivaram dele, mas neste artigo trataremos unicamente do RPG “de mesa”, o mais tradicional, onde os jogadores apenas dizem o que seus personagens farão, interpretando-os por meio de diálogos.

Como funciona?

O mestre prepara uma história com algum desafio a ser superado e os jogadores criam os personagens que se envolverão nesta trama. Essas histórias são geralmente chamadas de “aventuras” e um conjunto de aventuras jogado com os mesmos personagens forma uma “campanha”.

Todo jogo tem regras e no RPG geralmente elas vêm escritas em livros que contém instruções e ideias para a criação de emocionantes campanhas, personagens e antagonistas. Muitos desses livros também descrevem os cenários onde as aventuras podem acontecer e o tipo de personagem que os jogadores podem ou não criar. Faz sentido jogar com um cowboy no Velho Oeste, mas não numa história do rei Arthur.

Cada jogador tem um formulário – a “ficha de personagem” – onde tudo que seu personagem sabe fazer está anotado. Geralmente essas habilidades estão associadas a um número (“Natação: 10, “Briga: 8”, etc.) e se jogam dados contra esses valores para saber se o personagem foi ou não bem sucedido em sua ação. Vem daí o apelido de RPG “de mesa”, já que é comum jogar ao redor desse apoio para os livros, os dados, etc.

O jogo inteiro baseia-se nas escolhas feitas pelos personagens que, interpretados pelos jogadores, modificam a trama, afetando o mundo da narração. Então o mestre descreve as consequências das ações dos personagens, e isso gera novas situações para que eles escolham novas ações. Assim, a história vai se construindo coletivamente.

Dá um exemplo?

A fantasia medieval é considerada um tema clássico nos jogos de RPG. Numa aventura típica, quatro heróis tentam resgatar a filha do justo rei Albert, sequestrada por um feiticeiro maligno:

NARRADOR – Vocês seguem pelos corredores escuros e úmidos do subterrâneo da fortaleza. A luz das tochas de vocês mostra uma bifurcação à frente. Quando vocês se aproximam, percebem um brilho do lado direito, como se alguém estivesse segurando uma tocha também, além da esquina. O que vocês vão fazer?

PEDRO – Eu paro e falo baixinho pro grupo: “E aí, pessoal?”.

HUGO – Eu digo: “Apaga essa tocha, senão podem nos ver também!”.

PEDRO – Boa ideia! Eu apago a tocha e faço meu cavaleiro pegar o escudo.

JORGE – Eu também vou me preparar! Pode ser que tenha algum monstro ali na frente. Saco meu machado!

NARRADOR – Ok. Vocês apagam as luzes e sacam suas armas, preparando-se para o pior. E você, Bianca?

BIANCA – Vou esperar eles pararem com essa barulheira e fazer minha personagem tentar ouvir alguma coisa, pra saber se tem ou não perigo.

NARRADOR – Ok, Bianca! Vamos rolar os dados! Se você passar no teste eu lhe conto o que sua personagem ouviu...


Fonte: Site Brasil Escola. Se quiser saber mais clique AQUI


Agora vamos aos depoimentos dos meus três parceiros que de um jogo, viram nascer seus livros, algo que deve ser uma experiencia fantástica irem criando e testando suas histórias e personagens, com jogadores, como que vivenciando as cenas dando vida aos personagens.


Saymon César - A lenda de Materyalis

Todo autor tem algo que o inspira. No meu caso, eu preciso interagir com as pessoas, acompanhar o feedback delas para me motivar. E, nisso, o RPG me ajudou muito. Por ser um jogo que preza pela criação de grupos e interpretação de personagens, isso me ajudou a criar a dinâmica que eu precisava para estar sempre escrevendo alguma coisa no universo que elaborei. Em linhas gerais, você joga RPG com um grupo, e cada um faz o seu personagem embasado na perspectiva do mundo onde a estória acontecerá. Além disso, há um sistema de regras, que ampara as ações que serão feitas durante o jogo. Jogar RPG é essencialmente reunir um grupo presencialmente em algum lugar, mas, com o avanço da internet, o RPG também ocupou diversos ambientes virtuais, como chats e fóruns. Este último meio foi, desde sempre, a forma como jogamos RPG em A Lenda de Materyalis. O fórum foi criado em 2004 e, atualmente, conta com quarenta jogadores e o mesmo número de personagens com importância singular no universo da trama. A dinâmica do RPG funciona com um narrador, que conduz a estória, e jogadores, que interpretam seus personagens de acordo com o ambiente que lhes é apresentado. Funciona da mesma forma em A Lenda de Materyalis. A diferença é que criei um método de conversão do que jogamos no fórum para escrever romances, e foi dessa forma que nasceu o primeiro livro do tema e, se tudo seguir no processo positivo em que está, teremos muitos outros. Os jogadores firmam um acordo comigo e são colocados como coautores, e são responsáveis por criar os protagonistas da trama. Além disso, é uma forma de fomentar a literatura nacional e incentivar que talentos surjam, exercitem sua criatividade e se embrenhem no mundo dos livros como escritores em potencial.


Sinopse e resenha AQUI



Manuel Batista - Nildrien, o Pergaminho

É praticamente impossível falar sobre Nildrien e logo não associá-la a um RPG. Isto se deve principalmente por Nildrien ter realmente nascido como um e o dito jogo ter tido um efeito enorme sobre a história, e porque não, para que eu viesse a me tornar um escritor.
Comecei a jogar minhas primeiras sessões, convidados por amigos de uma mesa no início dos anos 2000 e logo me impressionei com as possibilidades, quase infinitas, de narrativa e criação de personagens que o RPG oferece, independente do sistema. Você pode criar qualquer história ou personagem, que poderão ser adaptados para o jogo, ou seja, você pode ser tudo!  O primeiro RPG que joguei foi Vampiro: A Máscara e lembro de ter saído tão empolgado da primeira sessão que no dia seguinte fui comprar o livro de regras, vendido na época em uma banca comum de minha cidade. Pouco tempo depois, já tinha devorado o livro e encantado com a possibilidade de criar histórias (em minha cabeça já naquela época, livros ou filmes desenrolados em tempo real), comecei a mestrar minhas primeiras histórias apenas um mês após ter entrado para o grupo de jogo.
Meus amigos e eu nos divertimos muito naqueles tempos, mas foi quando de fato conheci a “fantasia medieval” que tudo começou realmente a mudar de vez. No caso era um sistema próprio da mesa, adaptado do famosíssimo D&D e logo passei a me aventurar e depois criar e mestrar histórias com essa temática. Foi então que após um período de histórias bem sucedidas entre os jogadores, senti que poderia ir além e criar algo de diferente, algo que ainda fosse um jogo, uma brincadeira, mas que pudesse emocionar e entreter de uma forma maior. E foi ai que nasceu Nildrien, como uma simples história de RPG em janeiro de 2005.

Foram anos de trabalho e diversão, até que com meus amigos que jogavam a história nós sempre comentávamos que a trama tinha ficado muito boa e deveria ganhar um livro, alguma adaptação para que mais e mais pessoas pudessem conhecer, o que nos fazia vibrar e passar madrugadas a dentro nos finais de semana. Foi então que me arrisquei a começar a escrever um livro sobre a história, já tinha feito textos ao longo dos anos, mas nunca nada tão sério e me vi surpreendido mais uma vez, pois finalmente encontrei aquilo que realmente amo fazer nesta vida e que ainda não tinha percebido com tamanha convicção: contar e escrever histórias e o resto, bem, o resto é literalmente história. Ou seja, através do RPG pude encontrar o meu caminho na vida e por isso serei eternamente grato a este jogo, sempre tendo o maior respeito e carinho para com ele. 

Sinopse AQUI



K. S. Broetto - Fassade  

Fassade e o RPG de mesa possuem uma intrínseca relação. Jogo RPG desde os meus 13 anos, o primeiro sistema que me mostrou este mundo mágico da interpretação e da história foi Castelo Falkenstein, desde então pude jogar os mais famosos, como Vampiro - a Máscara, Mago – a Ascenção, Lobisomem – o Apocalipse, D&D (Dungeons & Dragons) em suas várias versões: 3.0, 3.5 e recentemente a 4.0.

O primeiro sistema que tive contato, Castelo Falkenstein, foi o jogo que abriu um universo de possibilidades que até então me eram inimagináveis. Com os anos de jogo produzi diários de personagens, contos, trechos de histórias, desenhos e quadrinhos. E em meio a estes contos, nasceu Fassade, hoje, meu primeiro livro.

O RPG foi de suma importância para a construção da história e dos personagens, uma vez que nele encontramos as ferramentas necessárias para a criação de qualquer coisa! Criaturas de diversas mitologias, formas de ler atributos físicos e mentais de um personagem, cenários, entre outros. As ferramentas a disposição são inúmeras!

Ao desenvolver a história e os personagens de Fassade, a bagagem que possuía dos anos como jogadora de RPG influenciaram diretamente em seu processo. Nada do que está no livro é em vão, as armas utilizadas foram cuidadosamente escolhidas, a forma dos combates, as personalidades e as discrepâncias nelas... Tudo foi pensado nos mínimos detalhes. O RPG me proporcionou uma visão, como se em apenas uma vida, eu tivesse sido muitas outras, em lugares e épocas diferentes.

E acredito que sem esta bagagem, eu não teria tido tanta desenvoltura ao escrever uma história na Era Vitoriana com seres mágicos. Acredito que tudo que escrevi e escreverei são e serão frutos dos anos de jogo, pois apenas quem já teve esta experiência, sabe como o RPG pode ser uma ferramenta de criação (e diversão) inesgotável!

Sinopse e resenha Aqui


15 agosto 2016

Resenha: Lenda Materyalis - Saymon César

Temos duas formas de ler esse livro, a primeira como uma história fictícia de uma guerra ideológica e ponto. Mas eu não consegui ler dessa forma, eu até tentei ler focada na narração mas a minha mente traidora teimava em fazer comparações e traçar paralelos, talvez por isso demorei mais do que o costume a ler esse livro. Amo esse tipo de leitura, aquela que nos faz pensar ir além do que o autor escreveu nas páginas. É uma história fictícia, mas durante a leitura observei uma linha traçada que trás comparações, fatos e insinuações que nos trazem ao mundo real.
Como a busca em saber a  verdade sobre Materyalis e como tudo se formou...Qual é um os grandes mistérios da nossa humanidade? Saber como o nossa divindade se formou? E sobre a nossa Materja? Sim porque temos uma Materja, guerra de ideologias, com nossas diversas religiões querendo buscar mais adeptos, ganhar espaço, se sobressair, dominar...
Ao escrever a Lenda Materyalis, Saymon se tornou um deus, criou um mundo, um mundo só seu, com lugares e habitantes peculiares, tudo perfeitamente narrado e explicado. E nós somos convidados a embarcar nessa aventura de conhecer esse mundo.
No início senti uma pequena dificuldade por tantos termos e nomes estranhos ao meu cotidiano, mas passada essa pequena dificuldade consegui entrar na trama e aproveitar essa viagem maravilhosa ao mundo de Saymon.
Materyalis a divindade era una, mas inconformada com a imperfeição das criaturas que gerou acabou de dividindo em dois deuses antagônicos Materyon o benévolo e Marilis o malévolo. O que separou a sociedade em três ideologias: Terionismo ( acreditam no deus bom), Marilis O ( acreditam no deus mau) e Emylismo ( acredita que separados ambos são falhos).
Uma sociedade secreta é formada para descobrir a verdade sobre Materyalis, os Verinistas. Para saber a verdade é preciso encontrar um artefato milenar o Sinkra. E para encontrar o Sinkra o profeta tem que encontrar os cinco denins ( indivíduos dotados de misteriosos poderes) que estão ligados ao único caminho para o fim da batalha.
No início do livro o atual profeta Müdrik vê o cerco se fechar sobre si e sendo incapaz de continuar passa a responsabilidade para Harcos e também todo o conhecimento adquirido assim como o Sinkrorbe, um cristal faz ter visões.
A história é contada em forma de um diário onde Harcos narra suas visões através do sinkrorbe e nessas visões nós vamos conhecendo os denins, os possíveis candidatos que serão recrutados para ajudar a causa.A narração de Saymon é tão rica e perfeccionista que eu senti como se tivesse tendo as visões junto com Harcos, além disso ao narrar as visões ele vai dando explicações dos fatos acontecidos o que torna a compreensão do livro fácil e a estória verossímil, sem furos.
Com um final espetacular e uma batalha de tirar o fôlego, nos deixa com um gostinho de quero mais (para ontem), fechou o livro com chave de Ouro.
Esperando anciosa pelo Livro 2 das Crónicas de Aliank. Por favor Saymon termina logo...